Ter tomates para a vulnerabilidade

Muito se escreve e fala hoje em dia sobre o sagrado feminino e o sagrado masculino. Parece haver uma imensa busca pela fusão saudável das duas energias. Todavia, estas 2 energias são 4 e como tal, num casal cada um dos elementos (homossexuais ou heterossexuais) terá dentro de si duas energias opostas mas complementares a equilibrar, a energia feminina (yin) e a energia masculina (yang).

Fartos de saber que devemos estar primeiro equilibrados internamente, insistimos em procurar o que nos falta fora de nós. Deste cliché partimos para outro patamar, a ideia de que acompanhamos individualmente a progressão que se tem feito a nível macro e à escala planetária nesta longa luta pelo equilíbrio. Observando; parece haver um ligeiro movimento do arquétipo masculino em busca da luz, a partir do trabalho de sombra. Ou seja, o masculino “magoado” começa finalmente a querer sarar as suas feridas para que através dessa sombra possa integrar mais luz. Todavia, o que tem acontecido é que para integrar essa sombra, precisa desenvolver a sua energia feminina, energia com a qual fica totalmente desconfortável (vulnerabilidade, amor, medo fragilidade…). 

Nalguns casos, acontece o contrário, o masculino “magoado” não conseguiu desenvolver a sua energia masculina e como tal, apresenta-se como uma criança medrosa, desempoderada, frágil e carente. Nesses casos, o trabalho orienta-se em sentido oposto, no empoderamento através do desenvolvimento de uma energia masculina saudável com o objetivo de lhe trazer coragem, poder de decisão, energia vital (plexo solar), assertividade, auto-confiança, poder de sedução e dinâmica empreendedora – Fazer! Lutar! Enfrentar! O que está a acontecer é que o masculino precisa de ser guiado pelo feminino neste trajeto para casa, porque sozinho parece não conseguir encontrar o caminho, continuando a perpetuar os mesmos erros e os mesmos padrões. Se não há yin sem yang e yang sem yin, está tudo certo, sendo que parece haver vozes várias nas áreas das terapias e da espiritualidade a indicar e reafirmar que o feminino avançou primeiro nesta evolução energética e que, por isso, o caminho passa por estarem juntos nesta fase final de ascensão vibracional. Importante será explicar que esse é o progresso natural destas duas formas energéticas…Trocando isto por miúdos… O céu precisa que a terra esteja saudável para se curar a ele próprio. O homem precisa que a mulher se tenha elevado para que também ele possa alterar o seu nível de consciência. 

A nível de consequências, a questão é que enquanto se cura, o masculino ferido e cheio de máscaras, poluição e toxicidade, magoa o feminino pelo caminho. Não de forma deliberada mas devido aos automatismos que criou para sobreviver. 


Ora se o masculino estava habituado a um feminino desempoderado, frágil, vulnerável e submisso (extremo yin) ou a um feminino poderoso, manipulador, frio e agressivo (extremo yang), imaginem o espanto de observar a ascensão de um feminino empoderado de forma equilibrada, consciente dos seus sons e talentos, forte mas suave, que luta mas sabe nutrir, que tem dentro de si as energias equilibradas, sabendo quando fazer uso delas de acordo com cada situação, na medida certa. Um feminino que não quebra mas que se permite ser vulnerável. Que é corajoso mas pode admitir sentir medo.

Uma mulher que consegue dar uma base de sustentação, matéria, terra e chão ao seu espírito. Um planeta terra que luta pela sua cura. 
Um corpo-mulher que se conhece de acordo com as luas, as estações do ano e os ciclos menstruais. 


Uma mulher que celebra o corpo, a menstruação e a sexualidade de forma natural. Uma mulher que não se deixa ser pisada, manipulada ou maltratada. 

O masculino perante este modelo feminino fica confuso, temeroso e inseguro. 
É esse homem ferido que precisa de ser compreendido e ajudado na ascensão espiritual. 
É preciso conectá-lo à natureza, aos ciclos e à coragem mas também à sua vulnerabilidade. É preciso transmitir-lhe o que é o verdadeiro amor. O amor sem pressões e prisões. É preciso ensinar-lhe que o sexo não é violento mas antes uma via de acesso ao céu, em comunhão sagrada. Em confiança e entrega total. 
Homem que é “céu”, tem tomates para se mostrar vulnerável. Sem medos e inseguranças. De braços abertos para a cura.  Sem rendição, não há atalhos. É preciso desconstruir!  

Nota: Nalguns casais, o homem apresenta mais energia feminina e a mulher mais energia masculina. Referimo-nos a energias e a não a géneros de forma vinculativa. Nesses casos, inverta-se o texto. 

Texto e imagem: Rute Violante

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